Âncoras visuais e a tomada de decisão humana
O que são âncoras? Quais os seus limites? De que forma elas podem ser usadas na PNL?
Uma maneira fácil de juntar toda essa informação, é entender como as âncoras são usadas distintamente pelo sistema nervoso humano no processo de tomada de decisão. O córtex frontal do cérebro humano (parte da testa) é responsável pelo estabelecimento do campo de memória de trabalho o qual nós usamos para pensar. Ele activa os padrões da memória de longo prazo e os indexa por localização. Como um Practitioner de PNL, você considera esse processo como sub modalidades.
O seu trabalho no passado com sub modalidades mostrou-lhe que a localização de uma imagem é extremamente importante no significado da codificação. A razão para isso é que a localização de uma imagem é também indexado pelo sistema somatosensorial(ver, ouvir e sentir). Isso significa que quando você activa uma memória e a coloca na memória de trabalho, a localização desta imagem se torna indexada pela mesma reacção fisiológica como a memória. (Goldman-Rkic 1992) (Damásio 1994)
Imagine algo que você está muito motivado para fazer. Perceba a sua localização. Agora, imagine algo que você não está motivado para fazer, mas sabe que precisa fazer. Observe como a memória de trabalho coloca essas duas imagens em locais diferentes. Observe também que quando você olha para as duas possibilidades, existe uma diferença cinestésica que se torna facilmente perceptível e que lhe permite saber qual delas você quer fazer.
Isso é possível porque cada local, agora codificado pelas células piramidais (Goldamn-Rakic 1992) no córtex frontal, foi distintamente ancorado à sua reacção fisiológica por meio do sistema somatosensorial. Isso é chamado de um marcador somático. O uso disso é surpreendente.
Você não apenas pode mover a imagem "desmotivada" para a posição "motivada" e sentir-se diferente, como também pode distintamente influenciar outro estado fisiológico do lado de fora, por meio da ancoragem do local de cada um com um gesto da mão. Você irá descobrir que gesticulando distintamente para o local onde a pessoa guardou essas imagens, você será capaz de reactivar a reacção fisiológica dela. Nesse caso, ao invés de estabelecermos âncoras artificiais, nós estamos utilizando o próprio sistema marcador somático do cérebro e com muita precisão compassando um modelo interno do mundo da pessoa.
Como você pode utilizar essa ferramenta no contexto de tomada de decisões na vida real? A próxima vez que você se encontrar vendendo um treino de PNL para um cliente em perspectiva, elicie uma ocasião em que a pessoa viu algo numa loja que ela sabia que precisa ter. Enquanto você calibra, para ter certeza que essa é a reacção que você quer, observe para onde os olhos dela se movem quando ela pensa sobre essa memória. Simultaneamente, ancore essa localização exacta com um gesto distinto da mão. Agora falando simplesmente sobre os benefícios do que você tem a oferecer e gesticulando para esta localização exacta, você irá ancorar o estado desejado para o treino de PNL.
Tenho a confiança de que esses poucos exemplos irão irradiar alguma luz no impressionante poder não utilizado do seu kit de ferramentas de ancoragem. De um lado do espectro nós podemos influenciar a tomada de decisão, por outro lado, vida e morte em si. Quantas novas aplicações pode criar no meio disso? Eu deixo-lhe esse desafio.
Planeando novos métodos de calibração
Como Practitioner de PNL, nós fomos treinados para calibrar primariamente com os nossos canais sensoriais. Esse método limita-nos para calibrar e capturar os distintos estados fisiológicos. Embora investiguemos o uso de ferramentas de calibração de última geração, como scans PET, FMRIS e SQUIDS (superconducting quantum interference device), o impressionante poder da ancoragem se tornará virtualmente ilimitado. Entretanto, não é necessário tornar isso tão aperfeiçoado para começar a criar muitas aplicações exclusivas e efectivas para a ancoragem.
Após ter lido a pesquisa mencionada acima, a minha mente começou a procurar por mais ferramentas comuns disponíveis que um Practitioner poderia usar para explorar novas possibilidades. Naquela época, o meu pai estava sofrendo dos efeitos adversos da medicação para controle da pressão sanguínea e estava interessado em aprender como influenciar a sua pressão por iniciativa própria.
Para executar isso, nós precisávamos de duas ferramentas, um indicador para calibrar continuamente a pressão sanguínea e uma ferramenta para influenciar o seu estado. Visto que os estados das ondas cerebrais alfa, teta e delta estão associados com baixa pressão sanguínea, nós precisávamos encontrar uma ferramenta que pudesse actuar como um parâmetro de controlo que quando escalado poderia conduzir o cérebro através desses estados colectivos.
Muitas empresas hoje produzem uma ferramenta auditiva que pode ser usada para esse propósito. Nós escolhemos uma fita cassete que foi gravada no canal do ouvido esquerdo, um som puro de 100HZ e no canal direito um de 104HZ. Como esperado, pelo princípio da ressonância forçada, a actividade no background do cérebro começa a oscilar a 4HZ (onda delta), que pode ser verificada com o EEG.
Uma diminuição correspondente na pressão sanguínea podia ser vista imediatamente no indicador de pressão do seu novo relógio Casio. Quando ele ouvia a fita, uma oscilação auditiva muito distinta era detectada a 2-4 ciclos por segundo. Como ter a fita disponível na hora era restritiva, eu o fiz estabelecer âncoras visuais e cinestésicas que podiam recriar a imagem auditiva e o correspondente estado do cérebro.
Com apenas alguns minutos de prática, ele era capaz de influenciar sua pressão sanguínea disparando sozinho a âncora. Mais tarde nós descobrimos pesquisas em que a actividade no background do cérebro mudava de beta para alfa simplesmente fechando os olhos por alguns segundos. Quando conveniente, nós incluímos isso como a primeira etapa da estratégia seguida pela audição da imagem auditiva. Esse procedimento criou uma ampla bacia de atracção e um acesso mais fácil ao estado atrator da baixa pressão sanguínea. Essa é somente uma das virtualmente ilimitadas maneiras que eu encontrei para começar a explorar as possibilidades da ancoragem via ferramentas de calibração mais precisas. (Anchor Point, Outubro 1995 – parte 1 desta série).
Como a âncora funciona ?
Nesse ponto seria útil ter uma pequena discussão sobre como as âncoras são capazes de influenciar o sistema nervoso humano. Quanto mais nós entendermos sobre como as âncoras funcionam, maior flexibilidade nós teremos em planejar novos e efectivos usos. Muitos practitioners em treinos já ouviram a frase "você não pode, não ancore". Como um cérebro humano testa o seu mundo exterior via seus cinco sentidos, uma representação desses eventos externos são codificados pela modificação sináptica. Modificação sináptica é um processo no qual o sistema nervoso reforça certos caminhos e enfraquece outros, resultando em exclusivos padrões electroquímicos de activação. Em outras palavras, um padrão de activação electroquímica codifica a actividade simultânea de todos os cinco sentidos como se fosse uma peça de informação.
Ao mesmo tempo, o cérebro também está testando seu mundo interior, via o córtex somatosensorial e codificando a reacção fisiológica de todo o corpo para o evento externo no mesmo padrão de activação. Qualquer coisa que reactive esse único padrão electroquímico de activação também activa a reacção fisiológica do corpo que estava codificada com este padrão.
O padrão resultante da activação pode ser referido como um estado atractor. Quanto mais efectivas se tornam as sinapses através da modificação, mais profundo e mais estável fica o atractor. Cada codificação do sistema sensorial desse evento simultâneo, é uma trajectória conduzindo para o estado do atractor e capaz de reactivar o padrão codificado.
O fenómeno resultante é similar ao campo morfo-genético (capaz de auto organização espontânea). A propriedade mais importante desse tipo de campo é que ele é capaz de regulação, o que significa que qualquer parte do campo pode activar todo o campo.
O que isso significa para o Practitioner? O que está evidente na pesquisa da psiconeuroimunologia é que cada reacção psicofisiológica incluindo a expressão do DNA (resultando em produção de IL-2), é codificada neste padrão de activação. Quanto mais exclusiva for a âncora, provavelmente maior será a trajectória que ela segue para conduzir para o padrão de activação planejado ou estado atrator.
Quais são os limites de uma âncora?
Uma série de experiências realizadas por pesquisadores no campo da psiconeuroimunologia ("PNI") podem nos dar um indício. A primeira série dessas experiências foi realizada com ratos (resumidos por Chopra, 1990). O objectivo era estabelecer o facto de que o sistema imunológico poderia ser levado a reagir previsivelmente a um só estímulo apresentado pelos sistemas sensoriais. Os ratos foram divididos em dois grupos. O grupo 1 foi injectado com ciclofosfomida que é um conhecido imunodepressor. O grupo 2 foi injectado com Poly IC que é um imuno estimulante popular.
Essas injecções foram usadas para induzir os estados imuno-fisiológicos desejados. Quando as reacções esperadas do sistema imuno foram calibradas, os dois grupos de ratos foram ancorados ao mesmo estímulo. Os pesquisadores usaram cânfora como um estímulo olfactivo e água com sacarina com um estímulo gustativo, apresentados simultaneamente. Somente essa âncora dupla assegurava que o estado imuno-fisiológico previamente calibrado não poderia ser accionado acidentalmente pelos elementos comuns que entravam em contacto pelo ambiente.
Nesse ponto, os pesquisadores tinham estabelecido uma âncora confiável, que poderia activar um estado imuno depressivo no grupo 1 e um estado imuno estimulante no grupo 2. (Ader, Felten, Cohen, 1991)
O impressionante poder da âncora foi mostrado na fase 2 do experimento. Nessa fase, logo que os indicadores imuno-fisiológicos retornaram ao normal, os dois grupos foram injectados com uma dose substancial de um vírus comum de pneumonia. A âncora era então disparada. Dentro de 48 horas, os ratos no grupo 2 (imunoestimulados) apresentavam um pequeno sinal do vírus e em de 7 dias não havia mais nada.
No mesmo espaço de tempo, todos os ratos do grupo 1 (imunodepressivos) estavam mortos. Um projecto de pesquisa mais tarde duplicou esses resultados substituindo o vírus da pneumonia por injecções de células vivas de câncer. Para esses ratos, o que fez a diferença entre a selecção dos estados fisiológicos mais fundamentais de vida e morte, foi uma âncora. (resumido por Chopra, 1990)
Sem dúvida, você já está imaginando as poderosas aplicações biomédicas dessa impressionante ferramenta. Num experimento de pesquisa realizado mais tarde, o poder da ancoragem foi usado para ajudar a cortar o custo de uma dispendiosa terapia de tratamento do câncer.
O objectivo da pesquisa era levar o sistema imuno de uma jovem a produzir Interlukin 2 ("IL-2") que era necessário em grandes quantidades para combater o seu avançado câncer de fígado. Naquela época, uma aplicação de IL-2 custava $40.000. Junto com a administração de uma simples aplicação, a mesma âncora usada nas experiências com os ratos foi estabelecida.
Os pesquisadores ficaram surpreendidos ao descobrir que disparando essa âncora entre as aplicações, atingiam níveis mais elevados de IL-2 do que os normalmente contidos numa simples aplicação.
Por isto eu lhe devolvo a minha pergunta original, "Quais são os limites de uma âncora?" Parece que a única limitação que pode existir é a precisão da calibragem. Não somente essas experiências provaram que as âncoras podem influenciar a nossa simples existência, mas para muitos pensadores produtivos foi estabelecida uma poderosa referência para suportar a crença – Se você pode calibrá-la, você pode capturá-la.
por:Sppnl Artigo publicado na Anchor Point dezembro de 1995.
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"Enquanto suspiramos por uma vida sem dificuldades, devemos nos lembrar que o carvalho cresce forte através de ventos contrários e que os diamantes são formados sob pressão."
( Peter Marshall )